Por esses dias, me peguei tendo pensamentos que há tempos não invadiam minha mente. Tendo percebido isso, me deixei levar por toda nostalgia que invadiu meu ser e, curiosa, quis ver até onde meu inconsciente podia me levar.
Foram altos e baixos, curvas e linhas retas, sonhos bons e pesadelos. Lembrei-me de momentos mágicos e também daqueles que eu deveria esquecer. Mas não esqueci. É como se eu tivesse ali parada, estática, inerte. O mundo ao meu redor gira, roda, muda. E eu, que sempre acreditei na ação do tempo, estava exatamente igual há meses. Claro, as feridas são menos profundas, o sorriso não me afeta tanto, o cheiro não me alucina como antes. Você hoje é uma ferida quase curada dentro de mim.
Acabo de tomar banho, ainda estou com a toalha enrolada na cabeça. Abri minha gaveta de 'roupas de casa' e me deparei com uma camisa sua, roubada de um dos melhores momentos da minha vida. Pensei duas vezes antes de vesti-la, mas confesso que não resisti às lembranças que essa simples blusa cinza me trás. Não te vejo mais como futuro, mas te guardo no meu passado. Fiz questão de deixá-lo intácto, dentro de uma caixinha trancada e abandonada dentro das mais lindas lembranças que alguém pode guardar. Eu tenho total controle sobre mim, meus atos e meus desejos. Mas existe uma pequena parte de mim que ainda grita desesperadamente por você. Certas coisas você esquece. Essas são certezas que nunca serão esquecidas.
A viagem dos meus pensamentos me levou a um lugar seguro, onde você só é mencionado em algumas festas, alguns momentos legais com amigos, algumas conversas femininas de desilusões amorosas ou coisa do tipo. Você não se faz presente em 90% dos meus pensamentos como antes e minhas ações não são direcionadas a qualquer coisa que possa chamar sua atenção. Estou curada de você. Mas não do sentimento que guardo dentro de mim.
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